
Eu meio que não entendo, não costumo passar por atalhos a não ser que eu os conheça muito bem, sinto que nunca vale a pena o risco, tenho tanto medo do perigo que prefiro pouco sair de casa. Por isso ainda não entendo, se em cada caminhada uma curva errada pode me dá um outro destino, quando planejo tudo com muito cuidado, não admito percorrer pelo caminho errado, procuro eu mesmo criar meus atalhos. Ora, lembro-me de ter fugido uma vez, não lembro de onde saí, não lembro para onde ia, só sei que fugi, correndo por atalhos que nunca achei que fosse precisar usar, correndo por atalhos que me fizeram pensar, só que infelizmente esqueci e, se pensei, não pensei em nada que pudesse aproveitar. Creio que faz sentido não querer entender, até porque, entender pra quê se vou esquecer, deletar... Não entendo pensamentos que me fazem refletir; reflito por alguns segundos e depois volto ao normal. No meu curso, recurso, não me permito atalhos. Como também não me permito imaginar demais, imagino apenas o suficiente, necessário. Nem na minha mente percorro atalhos, o risco de arriscar me leva a planejar, sempre planejo o literal, o real, o que de fato existe, não penso num mundo perfeito, bom, ruim ou triste, deixo ao tempo, para que o passar do tempo mude o que lhe for preciso, afinal, nem o tempo pega talhos. Por fim, atalho, para quê? Não seria melhor percorrer o inteiro, o caminho todo? Para que no erro não haja a frustração de um mau atalho no meio do caminho.
Samuel S. de Freitas
Texto escrito em:
14/05/2010

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